sexta-feira, 10 de setembro de 2010

E se palavras caissem dos céus...

Algumas cairiam tão pesadas quanto a culpa, e outras tão leves quanto um be- lo sorriso. Também penderiam aquelas saborosas, como morangos, e você co- lheria essa chuva de inocência. Outras, por sua vez, contrariando os suculentos frutos, viriam asquerosas como ácidos, e teriamos de evitá-las.

Uma chuva escrita pelas nuvens, caindo...
... caindo.

Cairiam da mesma forma palavras quebradas, frias e dolorosas, para aqueles momentos de fúriafrustação ou desilusão,  em momentos de brigas e lágri- mas tristes. Uma lástima.  Entretando,  ao passo que tal fato poderia acontecer, palavras carinhosas, afetuosas e aconhegantes trariam a paz de um abraço, a simplicidade de um instante alegre e iluminado.

Você poderia tocá-las, sentir seu perfume
ler seus significados com a palma da sua mão.
Você poderia segurar e enamorá-las. Poderia decifrar seu olhar.
E se a cura para a inteligencia global está nisso...

Na falta dessa garoa.

Palavras jorrariam acima à todo instante, transmitindo seus respectivos senti- mentos. Haveria uma contínua tempestade ao redor das pessoas; seria mais fácil transparecer tudo. Encantariam as mais brilhantes mentes, inspirariam os mais grandiosos artistas. E todos navegariam num mar falante...

Um comentário:

A Bela Adormecida disse...

As palavras doem mais do que a agressividade em si. Até apunhalamos os outros sem faca e sem nada com elas.

mas enfim, seu texto é lindo como sempre, e eu amo isso. PALAVRAS. Tudo que eu respiro.