Que tal um pouco de cor naquela terrível lembrança? Essa é a sua chance. Pe- gue seus pincéis, seu avental e sua palheta; escolha algumas cores que o faz feliz ao enxergá-las. Seja delicado, pintá-las não será uma tarefa rápida. Será di- vertido, ora complicado, ora rasoavelmente simples, porém a sensação de trans- formar objetos com a índole pesada em outros leves e carismáticos lhe trará uma incrível paz interior de imensidão relativa, dependendo do estado em que as suas recordações encontram-se. Estranho, sim, talvez, mas não custa tentar, não? Eu o convido para essa louca transposição de materiais.
Um cavalete com sua respectiva tela sentimental estará a sua espera, pronto, in- tocado. Coloque a melhor das piores das suas experiências. Começe com um tes- te. Aplique-o sobre a tela. Agora pinte, livre-se da pressão que o aflinge. Garan- to que colorir lembranças é mais fácil do que imaginas.
Viu como é fácil? Será um pouco mais difícil com as demais, por serem mais for- tes e significativas. Entretando, desistir é algo para os fracos... apenas termine. Sorria com elas. Brinque com as matirzes, tons, constrastes, luzes e intensidades. Lembre-se de que só há alegria quando você a quer; faça disso tudo um motivo para morrer sorrindo.
"Sorria por elas pelo simples fato de que aconteceram."

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