Um coração inquieto, que grita silenciosamente por um nome à todo momento. Ele faz você imaginar, sonhar e pensar muito. Te faz perder palavras quando tu- do o que você tem é um punhado delas. Ele bate mais forte quando você lembra de alguma coisa que te marcou. Ele te faz suspirar. Diz que o que você deve fa- zer. Você o coloca para dormir, mas ele te faz cair num universo paralelo, onde tudo é possível. Você perde horas nessa brincadeirinha. Ele te faz sorrir nos mo- mentos mais importunos. Ele faz você agarrar coisas potencialmente idiotas (que não são tão idiotas assim e fazem algum sentido para você). Ele te deixa in- seguro. Brinca com você. Você chora com ele e por causa dessa coisa que você está sentindo. Ele te engana, acrescentando coisas onde não existe; mas você prefere acreditar nele, porque lhe convém. Ele formula perguntas que você não sabe responder (o que te frusta). Ele te deixa envergonhado, vunerável, enfra- quecido mentalmente, mas fortalecido por algo abstrato. Quando você finge não sentir nada, ele descobre e te dá uma bronca por mentir para você mesmo. Ele gosta de te ver sofrer, e esfrega os mínimos detalhes na sua cara.
Ele te devora lentamente.
E o pior é que você ama essa sensação de tortura.

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