terça-feira, 1 de março de 2011

Um dilema.

Vejo minha imagem no espelho, desfigurada, incerta. Aquela simples placa prate- ada, dona da verdade, mostra à mim todos os meus defeitos, colocando-os em e- vidência. Posso enxergar o meu miserável interior naquele lugar; o que, particu- larmente, não é muito interessante, muito menos agradável.

Uma tragada de impurezas. 
Uma fumaça de expulsões.

Então, alguém chega, vagarosamente, entra e faz o seu coração desmanchar... os fluidos, apenas com um sorriso, regeneram-se rapidamente, num baque forte. A sua imagem agora muda, mas não é no espelho...

é na projeção daquele olhar.

Vejo minha imagem no seu olhar, concreta, certa. Como se eu fosse feito para estar ali. A verdade agora se esconde, amedrontada; pois, na sua presença, me torno alguém melhor, digno dos meus feitos, pronto para qualquer guerra e com a alma cristalina. Certamente não fiz isso sozinho; todos os créditos vão para ti, po- is provoca em mim esse tipo de reação, de bondade e calma. Sou melhor por vo- cê, para você. Mas só nos teus olhos eu sou assim; faz parte da "ilusão".

Nunca haverá um espelho que possa me idealizar tão bem quanto os seus olhos.
Nunca.

 A verdade é que, se eu viver contigo, serei constantemente afetado pela tua cor- reção... porque você me torna assim. A verdade não precisaria vir à tona... se fizermos dessa situação, a verdade. Se eu pudesse viver 72 horas por dia conti- go, à longo prazo.

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