Hoje, quando eu saia da escola, aconteceu algo tão inacreditável quanto assistir à passagem de uma estrela cadente.
Eu subia a rua do colégio, tranquilamente, quando avistei duas borboletas, pequeninas e azuladas, pairando sobre uns arbustros. Parei para observar.
Dançavam um místico ritmo. Aos meus olhos, o movimento de ambas era feito de frames, lentos, brilhantes e suculentos. Não pude conter e aproximei-me alguns passos, com a minha curiosidade de menina-mulher.
Mas elas apanharam-me antes. Sussurrei "Hey dear" às duas, sorrindo, acanhada. imóvel. Uma delas circundou meu corpo, e depois voltou ao seu amante para continuar a sensualidade da natureza.
Girei meu calcanhar para andar de costas e vê-las, sorrindo às duas enquanto avançavam céu adentro. Meu sorriso foi o mesmo daquele dia, quando a luz do bairro onde morava entrou na escuridão, e como não resisto às oportunidades, fui à janela...
Mas esse assunto deixo à outro texto. Estou falando de borboletas, do símbolo da transformação-
Eu queria chorar. Mas derramar lágrimas de explosivas alegrias, de sinestésica emoção, de profunda comoção. Eu queria pegá-las e guardá-las comigo, para sempre... Elas iluminaram, transformaram meu dia, olhar, andar, pensamento!
Será isso um sinal? Não pode-se ignorar sinais.
Borboletas me encantam, atraem e fascinam. São estrelas que batem asas para mim... Significam meu comportamento.-
Agora, por favor, responda-me; quando uma das suas maiores paixões envolve-te num abraço e convida-te à dançar,
você se entrega?
Ou simplesmente sorri...?

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