sábado, 19 de junho de 2010

Cative uma estrela hoje.

É muito difícil cativar estrelas. Elas exigem muita conversa, paciência e amor. Todas as opções são virtudes que só a vida trás, com o tempo e seu espaço. E claro, como pude esqueçer, é preciso adorá-las, acima de tudo.

No texto abaixo, citei uma passagem da minha vida muito especial; algo que mudou radicalmente a minha forma de ler palavras cintilantes muito além dos horizontes do planeta Terra.


Um detalhe muito importante sobre as estrelas:
Elas não falam. Utilizam uma linguagem muda e difícil de interpretar. 

Elas piscam; o que pode significar um "sim" ou "não". 
E não faça perguntas difíceis ou desabafe esperando frases como respostas. Elas não podem respondê-lo.


Voltando aos primórdios da minha existência, posso afirmar que sempre fui atraída por estrelas. Quando via uma, no céu da minha cidade de São Paulo, meus olhos ficavam aprisionados àquelas piscadelas. E fuzilados de emoção.

Então viajei para Fernando de Noronha, e fui tomada pelo brilho não de algumas, mas de milhões delas; imaginem-se sentindo o abraço mais caloroso que alguém já lhe proporcionou. Ah, e como foi igual!

Elas me acolheram de um jeito inacreditável. Eu passava pelas confusões da pré-adolescência na época, e vi, nelas, as minhas confissões e o meu alívio. 

Conversava, mentalmente, todos os dias que podia. E quando encontrava-me na presença apenas da minha  pulsante mente, empurrava sussurros tímidos garganta afora... E percebi, ao longo do diálogo, que não eram surdas.

Finalmente tinha algo para apoiar meu coração.
O entreguei à elas.
Praticamente o joguei sob.

Era uma sensação de profunda tranquilidade toda vez que apareciam. Demoravam, claro, pois o encontro não tinha hora marcada, e nem haveria de ter. Elas escondem-se no céu de São Paulo, dentre nuvens e neblinas. Ignoradas, não mais!

Houve uma outra viagem, dessa vez, para Caldas Novas. Eu passava, novamente, por apuros...-Mas como o céu de lá é lindo! Havia milhares de amigas, e tinhamos uma festa do pijama à fazer! Eu explodia de alegria!

Fiquei sozinha, numa noite, na laje dum prédio, no hotel onde fiquei. Estava deitada numa daquelas cadeiras de tomar sol. E conversei, pedi, perguntei, cheirei o perfume que exalavam...-

Elas são incríveis. Eu pedi uma solução ao universo. Porém, eu sabia que não poderiam  falar uma frase para acomodar-se sobre. 

Vi pela primeira vez a lágrima das estrelas. 
Uma lágrima tão rápida quando suas piscadelas, mas eu sabia o que significavam.


Elas me concederam o meu primeiro desejo. O que pedi? Isso coube àquele momento, à elas e  tão somente  só à elas. O importante é que pedi com toda a minha fé, e chorei junto ao mar de brilhantes...! Eu não deixaria passar essa oportunidade, nem pude; elas foram simplesmente adoráveis! Eu agradeci, e prometi minha devoção eterna.

O que pedi foi realizado. A partir dessa noite, estava claro, tudo tão claro quanto o Sol noutra parte do mundo. Encontrei minhas deusas.

Essa foi apenas a primeira vez. Continuarei as outras duas, noutro texto. Sim, elas valem um punhado cheio de manuscritos, e, se necessário, um livro com as minhas passadas e futuras experiências. Esperam o final desta vida.

Há um poder inimaginável dentro desses diamantes nortunos

Eu segurei esse poder por alguns milésimos de segundo, e foi o suficiente para ser cativada, e cativá-las.

 

Por que acredito que as cativei? Simplesmente porque é impossível elas terem deixado esparramar suas lágrimas três vezes, enquanto implorava por ajuda. 

Certo?

Um comentário:

A Bela Adormecida disse...

Não só cultive, mas sinta a alegria, acredite nelas, sorria com elas e vai sentir :D

Que lindo esse texto, vou ler de novo.

<3 te amo