quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Meu terceiro diamante.

Há tempos eu devia essa continuação... pois então, sinto muito pela demora. Eis aqui, portanto, a história, não melhor que a outra, porém mais especial.

Fazia uma bela noite em São Paulo. Céu limpo e cristalino, claro como o dia, devi- do à pequenos pontos aluminados no manto negro da noite. Acabara de rece- ber (ou fazer, falha-me a memória, mas isso é o de menos) um telefonema de um amante. Estava prestes a explodir de felicidade, tamanha era a que proporciona- va-me tal ser. Dormia sempre com um sorriso, com lágrimas e beliscões desconfi- ados, perguntando se aquilo era de fato real. Acredito que foi, confio. 


Inicialmente, estava na janela, conversando. Desligamos o telefone, e continuei a assistir àquele show. Desliguei todas as luzes da casa, aproveitando as dos vizi- nhos, que seguiam igualmente esse ritual. Parecia tudo predestinado; como o dia do apagão. Estava tudo numa escuridão descomunal...

 perfeito para pegar mais uma lágrima.
E peguei.

Desci as escadas até os fundos, porque, de lá, pode-se vê-las com uma perspec- tiva melhor do que quando está da janela. Meu admirador de estrelas estava lá. Abanou seu rabo, veio com a cabeça baixa e lhe acariciei. Depois, surtou de alegria; pulou em cima de mim, me lambeu, como sempre fazia. 

O libertei das correntes e deitei sobre o gélido chão daquela noite. Por mais incrí- vel que pareça, ele também deitou-se. Geralmente, ele sempre corria para brin- car. Agradeci sua paciência.

Estavamos nós dois, ali, fazendo o que admiradores fazem. Contei meu dia à ele e às minhas meninas; ambos piscaram para mim enquanto relatava os aconteci- mentos. Escutavam, atentos; um, cheiro de dúvidas, provavelmente não entedia nada, entretanto sentiu a boa energia que esse meu amante trazia para mim; as outras, compreendiam perfeitamente o que passava-se.

Foi então, que em um momento de silêncio absoluto, o céu chorou. 
Novamente.

Foi surreal. Pedi rapidamente, uma vez que meu pedido já estava formulado pela ideia daquele momento de intenso amor, e gritei, festejando. Meu lindo cachorro nada entendeu, e mesmo assim aderiu à festa; dançei ao som do luar. Chorei, a- gradeci, ri, senti. Surreal... algo que muitos não viram, muitos...

Sou privilegiada pelo meu amor infinito pelas estrelas. É mágico; elas não preci- sam me presentear, mas o fazem! Isso é incrível. São o que chamo de "deusas". É nas estrelas que confio, amo, oro. Porque elas estão ali, sempre tão brilhantes e prateadas para mim.

Quanto ao pedido, agarro-me nele até os dias de hoje. Se foi concretizado? Não, e acredito que não será jamais. Mas essa esperança eu me recuso a deixar mor- rer; será a única que manterei até o final dos tempos, independente do que ocor- reu. Elas não erram ao me deixar pedir. Sou eu que erro ao desejar...

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